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domingo, 2 de outubro de 2011

Cattleya

Hibrido: C.Labiata x C.Bicolor
 (Imagem de meu cultivo)

Cattleya é um gênero de orquídeas com cerca de setenta espécies. A Cattleya é muito presente em todo o território brasileiro, com espécies em todo o Sudeste, especialmente na Mata Atlântica e no Cerrado. Muito cultivada por seu tamanho e beleza (A Cattleya warneri, por exemplo, pode alcançar 25 cm de diâmetro), está disseminada em todo o país em lojas e floriculturas.

É muito fácil de ser cultivada, prefere ficar sobre ripados de madeira, na chamado meia-sombra, mas podem ser cultivadas em apartamentos e interiores.

In Natura, vive em lugares arejados e úmidos e temperaturas relativamente altas, em árvores de pouca sombra (luminosidade em torno de 60% para a maioria das espécies). O arejamento é um fator primordial para se conseguir belas flores.

Podem ser facilmente divididas quando emitem novas raízes para fora do vaso, e o melhor momento para dividi-las é logo após a floração quando o novo crescimento estiver apenas iniciando.

Lembre-se sempre de esterilizar a tesoura antes da poda.

Devido a sua capacidade para hibridação, só na natureza suas espécies se intercruzaram mais de 38 vezes (híbridos interespecíficos, ou seja, entre espécies do mesmo gênero) e com espécies de outros gêneros 31 vezes (híbridos intergenéricos). Com Laelia, cruzou 21 vezes. Com a Brassavola, 7 e com Schomburgkia, 3 vezes. Logo, existem mais híbridos naturais do que espécies.




A Cattleya e sua morfologia

As Cattleyas podem ser divididas em alguns grupos:

Cattleyas bifoliadas
Cattleya intermedia

Grupo formado por espécies geralmente altas com pseudobulbos estreitos e duas ou mais folhas na extremidade, em regra com mais flores que os outros grupos, geralmente menores e menos vistosas.

   1. Cattleya aclandiae (Brasil)
   2. Cattleya amethystoglossa (Brasil)
   3. Cattleya bicolor (Sudeste do Brasil)
   4. Cattleya dormaniana (Brasil)
   5. Cattleya elongata (Brasil)
   6. Cattleya forbesii (Brasil)
   7. Cattleya granulosa (Brasil)
   8. Cattleya guttata (Brasil).
   9. Cattleya harrisoniana (Sudeste do Brasil).
  10. Cattleya intermedia (Sudeste e Sul do Brasil, Paraguai, Uruguai).
  11. Cattleya kerrii (Brasil).
  12. Cattleya loddigesii (do Sudeste do Brasil ao Nordeste da Argentina).
  13. Cattleya porphyroglossa (Brasil).
  14. Cattleya schilleriana (Brasil).
  15. Cattleya tenuis (Nordeste do Brasil).
  16. Cattleya tigrina (Sudeste e Sul do Brasil).
  17. Cattleya velutina (Brasil)
  18. Cattleya violacea (Colômbia, Venezuela, Guianas, Brasil, Bolívia, Peru e Equador).


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Cattleya Granulosa

(Cattleya Granulosa de minha coleção)

 Cattleya Granulosa e seu habitat

Esta espécie é encontrada nos estados de Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Paraíba com menos frequência. A Cattleya granulosa tem como o seu estado de maior concentração de indivíduos na natureza o estado do Rio Grande do Norte. A Cattleya granulosa aparece numa faixa que varia do litoral até 20km continente adentro. Sua ocorrência fica restrita somente à área litorânea que vai do município de Canguaretama, na divisa com a Paraíba, até o município de Touros. Devido às condições climáticas e vegetativas diferenciadas, não ocorrem indivíduos além do município de Touros até a divisa com o estado do Ceará, na chamada Costa Branca.
De certa forma, pode-se dizer que a existência de grandes concentrações de Cattleya granulosa no RN é influenciada pelos ventos carregados de sais (maresia) trazidos pelo Oceano Atlântico. Seu habitat é restrito à região de dunas, principalmente nas áreas de formação vegetativa pioneira em que há grande influência marinha (restingas arbustivas ou arbóreas). A deficiência de um dos fatores citados anteriormente poderia explicar o fraco desenvolvimento da espécie, quando cultivada em áreas sem a presença do mar ou regiões fora do Nordeste.
A mistura de detritos vegetais e animais que existem nas dunas (restingas) produzem um tipo de turfa fibrosa na superfície do solo semelhante a consistência do xaxim que serve de apoio para muitas plantas epífitas no qual o suporte cedeu.

A biomassa de insetos e artrópodes de carapaça dura existentes no habitat da Cattleya granulosa é imensa, o que certamente contribui com a presença do elemento cálcio e outros elementos de origem orgânica para compor a nutrição dos indivíduos na restinga.

Aranhas e formigas das mais variadas espécies e tamanhos, abelhas, lagartos, vespas, escorpiões, borboletas, mosquitos, moscas, pássaros compõe um bioma único e rico nas áreas de ocorrência de Cattleya granulosa. Não é raro, quando se vai para o habitat, levar picadas desses animais. O que sempre se recomenda é a realização de visitas em duas ou mais pessoas para garantir a segurança.

 (Cattleyas de meu cultivo)
As folhas da Cattleya granulosa são oblongo-lanceoladas e normalmente se apresentam em dupla, no entanto, em alguns casos que a planta atinge níveis de nutrição excepcionais aparecem três folhas por pseudobulbo.

A coloração das folhas, caracterizada como verde-esmeralda a cor padrão, pode apresentar diferentes variações mais escuras para ambientes mais protegidos e mais claras para ambientes mais expostos ao Sol.

No habitat de Cattleya granulosa é comum a existência de exemplares a sol pleno, porém essa condição ocorre, geralmente, quando a planta suporte padece perdendo a cobertura de folhas que antes servia como proteção às fortes radiações solares. Nesse caso, a planta reduz a sua estatura e atarraca-se aumentando a consistência serosa das folhas, que se tornam mais grossas, enrugadas e de um tom de verde amarelado. Em áreas de desmatamento constante ocorre a retirada da parte superior dos arbustos utilizados pela população local para fins de extrativismo. Muitos indivíduos localizados na base desses arbustos cortados acabam nitidamente reduzindo o seu porte e atarracam-se, o que se comprova facilmente pelo histórico de pseudobulbos da planta.

As florações da Cattleya granulosa no estado do Rio Grande do Norte se iniciam pelo litoral norte do estado e vão se estendendo para o sul gradativamente. As primeiras floradas podem ser observadas já em meados de Junho ou Julho mais ao extremo do litoral norte, principalmente em áreas localizadas mais para o interior nas imediações de Punaú, Touros e Pititinga, próximas ao campo eólico existente na região. Nas demais localidades as floradas vão ocorrendo até meados de Dezembro. No entanto, foram encontrados exemplares floridos até Fevereiro na natureza. O pico das florações se dá entre final de Agosto e final de Outubro.

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